2 de abril de 2017

[Primeiras Impressões] Lacrymosa, Juliana Daglio.


Sinopse

O nome dela não é Valery Green. Também não nasceu no Kansas, e sua família toda não morreu num acidente de carro onde ela foi a única sobrevivente. Nascida num mundo de trevas e segredos apocalípticos, a garota feita de mentiras luta dia após dia para ter uma vida longe de sua verdadeira identidade e de seu dom misterioso, o qual ela julga como uma maldição.

Por cinco anos, ela conseguiu. Escondida na pacata Darkville, tornou-se uma respeitada Detetive, conhecida por sua frieza e eficácia no trabalho. Seu companheiro Axel parece ter orgulho de trabalharem juntos, até ficar frente a frente ao que encontraram na busca daquela noite - um demônio dentro de uma garotinha.

Para ajudar a pequena Anastacia, Valery terá que colocar em risco o trabalho na polícia e seu relacionamento com Axel, recorrendo à ajuda do Padre Henry Chastain, um velho conhecido. Desenterrando um passado cheio de exorcismos, perseguições e batalhas contra demônios, esse reencontro não promete ser feito de abraços e boas-vindas. Chas, como ela o chama, é conhecido como o maior Exorcista vivo - a Espada de Sal do Vaticano, e é sua única esperança de lutar contra o novo inimigo, mas também representa o ponto fraco de si mesma e o acesso a um passado doloroso que pode despertar seus próprios demônios interiores.


"O mal não resiste a uma porta destrancada."
Página 4

Recentemente recebi os quatro primeiros capítulos do novo livro da autora nacional  de Uma Canção para Libélula I e II e a série O Lago Negro, Juliana Daglio, para realizar as primeiras impressões e apesar de não ter tido a oportunidade de ler algo da autora soube que Lacrymosa explora uma faceta totalmente diferente da que ela costuma escrever e pessoalmente, devo mencionar, um dos meus gêneros preferidos, terror, mas também envolve elementos de romance e drama psicológico, ou seja, ele tem de tudo para ser um ótima leitura para os apreciadores dessa temática. 


"Afaste-se de todos que ama, ou eles estarão condenados.
Como você."
Página 5

A história inicia-se no Brasil, um fato que me surpreendeu de uma forma positiva, desde o início gostei da forma como a autora descrevia os cenários mas sem se esquecer das emoções das personagens, visto que, a nossa protagonista é imposta a uma situação incomum, abandonar sua família e assumir a identidade de alguém morta. 

"Olhou para a nova identidade em seu colo e viu um nome. Seu novo nome.
11 de janeiro de 2003. Valery Green.
Eu nascia."
Página 6

Isso me deixou intrigada pois em momento nenhum ela revela o porquê precisa fazer isso, apenas faz referências ao mal que a cerca e o quanto sua presença é fatal.


"O mundo não paralisa para os mortos terminarem a queda."
Página 8

Então somos levados ao futuro, onde entendemos o que aconteceu após o embarque de Valery e como ela leva a vida na pacata Darkville, Estados Unidos. Como uma detetive renomada, ela é conhecida pela maturidade e frieza em lidar com as situações de sua carreira, porém, nada disso entrega o quanto consequências de sua profissão, como a morte, a faz lembrar de um passado obscuro de cicatrizes incuráveis. 

"Eu não temia nada além da minha culpa, das minhas mãos sujas de sangue mais
uma vez. Por mais que eu fugisse daquele tipo de desgraça, ela sempre me perseguia. As chances de ter que matar alguém quando chegássemos ao nosso destino, eram as mesmas
de antes.
Todas."
Página 10

E tudo piora quando vestígios de um caso exige a presença da detetive, anteriormente em licença. 
George Benson, em tese, teria assassinado sua esposa e mantinha a filha mais nova em cativeiro, o reconhecimento de território e uma busca apurada no local parecia ser simples e mais que suficiente para solucionar a questão e livra-la de quaisquer contato a mais, porém seu destino reservava para ela algo bem pior. 

"Eu ia responder que deveríamos recuar para conversar longe dali, quando senti a
presença obscura atrás de mim. Não era mais só uma sensação palpável. Havia uma
respiração junto com ela, passos que produziam reverberações na madeira e o cheiro de podridão tornando-se tão intenso, como se um cadáver com mais de dez dias morto
estivesse parado atrás de mim.
É ele... Eu o conheço tão bem quanto conheço a mim mesma."
Página 13

A verdade é que ela sabe que aquilo não é um "simples" caso de surto, envolvem questões em aberto e a desafia diretamente. Assim como sabe que não será fácil convencer a todos, excepcionalmente seu colega de trabalho, Axel, de que Benson não é um assassino, assim como a filha dele, Anastacia, também não. Ambos são vítimas do mal em sua forma genuína restando a Valery desenterrar seu passado a partir de uma ligação que jamais pensara em fazer, e talvez a única, que poderá ajudá-la. 


"Irônico. Quanto mais perto da luz você fica, mais próxima está a marca da Besta.
Quanto mais lhe é dado, mais lhe será requerido."
Página 20

A história é narrada em primeira pessoa, até onde eu li, conheci o ponto de vista da Valery e também do chamado "Ele" que se revelou parágrafos mais tarde como sendo um Padre alvo da ligação dela e se me permitem dizer, não imaginem ele como o modelo de padre tradicional a que estamos acostumados, Chastain tem uma personalidade peculiar, posso dizer que foi a que mais me intrigou durante todo o progresso do livro e consequentemente a que mais quero desvendar. 

Até então não temos muitas informações exatas sobre o que de fato aconteceu para que a garota tivesse que abandonar o lar aos dezesseis anos e praticamente "nascer" de novo na pele de outro alguém, mas também é um dos melhores mistérios da trama.


"O demônio [...] 
está em cada atitude de julgamento, depreciação e contenda que você causa,
não nos seus pecados em si. Ele quer que você vá a igreja para exibir sua vida perfeita
enquanto derrete de inveja venenosa por dentro, falando dos outros com a mesma
mesquinhez com que lida com sua própria alma."
Página 27


E nem preciso dizer o quanto a abordagem principal, a possessão de Anastacia, é descrita de maneira magistral. Sério pessoal, eu tive a brilhante ideia de ler de madrugada e não posso dizer que me arrependi da leitura porém posso ter tido alguns calafrios ao encarar a escuridão na hora de dormir. 

Em resumo, a escrita da autora é impecável, não encontrei erro algum (tudo bem que isso pode ser por conta da revisão) mas em geral ela me trouxe um vocabulário totalmente novo e descrições que me fizeram sentir, de fato, o que Valery sentia. Outro ponto que queria abordar é a protagonista, ela é diferente do que costumamos ler e curiosamente se você achou que sentiria antipatia de sua personalidade, digo que ocorre totalmente o contrário, posso dizer que ela é o tipo de personagem inesquecível. 

"As pessoas pecam e precisam de alguém para responsabilizar e continuar a pecar
licenciados pela beleza da negação."
Página 27

Fui obrigada a conter meus instintos de colocar cada frase que marquei aqui se não ficaria muito maior do que já ficou (SCRR) mas preciso mencionar também que esse é um dos tópicos que mais amo em livros, frases marcantes e reflexões, nesse caso de maioria religiosa, muitas delas soam como uma crítica, daquelas que te fazem rever sua relação com o divino, entendem? E Lacrymosa começou me conquistando por ai e não decepcionou, estou ansiosa para descobrir o final, espero que seja publicada o mais breve possível!

Parabéns a autora e muito sucesso tanto com esse livro, quanto com os demais que agora estou ainda mais ansiosa para ler! 

Contatos da autora: 

lacrymosa.jd@gmail.com
FanPage: https://www.facebook.com/autoraJulianaDaglio/
Insta: @judaglio2

Espero que tenham gostado,
até a próxima!

Related Posts Plugin for WordPress, Blogger...